domingo, 6 de fevereiro de 2011

REGRESSAR ONDE SE FOI FELIZ

  Na minha infancia só conhecia dois lugares: o meu bairro de residencia e o meu bairro de férias. Durante muitos anos a minha vida girava entre estes dois locais e tão feliz que era! Com o crescimento, o bater das asas provocou a partida para outros locais, nunca deixando a cidade, na independencia natural que se procura.
 Como muitos de nós, que deixámos para trás os nossos pais, regressava de visita e observava uma crescente descaracterização da população e do bairro em sí, mas nunca perdendo a sua identidade geral. Mas sempre tive vontade de voltar, pelo bairro em sí, pelas casas antigas, pela família.
E assim foi, comprei casa no mesmo prédio onde cresci e tornei-me vizinho do meu pai.
Óbvio que o bairro mudou, isso nota-se logo de imediato, o ambiente é diferente, muitos habitantes de nacionalidades diferentes, as pessoas mais fechadas sobre a sua vida.
Mas ainda se conseguem vislumbrar crianças do bairro a brincar no Verão até tarde, a jogar á bola. O café do Sr. Zé continua um bom ponto de encontro para os habitantes mais velhos bem como para os mais jovens.
Por outro lado, negativo,  a praceta tornou-se durante uns anos numa espécie de mercado de droga, onde a partir das Dez da noite se juntavam dezenas de jovens para comprar, vender e consumir. Alguns a viver no bairro executavam uma ou mais destas funções, a maior parte vinha de fora. Só á força de rusgas policiais o movimento acalmou.
 Isto foi algo que muito me entristeceu, especialmente quando via crianças no meio a brincar e a assistir ás transacções. Apetecia-me sair á rua para bater nestes jovens que estavam a destruir a imagem de bairro de família. Por momentos, parece que essa fase acabou.
Assim, regressa-se ao dia dia e o que sobra é a satisfação de ter regressado ás origens, a um bairro que apesar das suas virtudes e defeitos, foi de facto um local onde tive uma infancia feliz.

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