sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nunca devemos voltar aos lugares onde fomos felizes?

Será assim como interroga o título e lemos amiúde? A resposta está no interior de cada um de nós. A Tebaida foi, e ainda é, certamente, um lugar de afectos para muitos que ali cresceram. Quem sabe se as estórias vividas não merecem ser contadas? O Bairro da Tebaida merece a retribuição pelo que nos proporcionou: vida! Voltamos ao lugar onde fomos felizes?

4 comentários:

  1. Não posso dizer que fui feliz... não sei. É o local onde cresci, onde tenho os meus pais, onde encontrei e me desencontrei de amizades. De qualquer forma faz parte da minha história, da pessoa que hoje sou. Quando voltei às raízes em 2007, já não me identifiquei com o local. Procurei rostos conhecidos da minha meninice e apenas encontrei a geração anterior, jovens estranhos... senti-me solitária.
    Não sei se quero lá voltar mas é bom recordar e rever "velhas amizades", embora na sua maioria não tenham passado de vizinhos, de pessoas com quem partilhava os mesmos espaços...

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  2. Não sei se reza assim o saber popular ou o senso comum. Quase não poderia circular nesta cidade onde nasci, se me limitasse a ouvir e aceitar, tanto absurdo que por aí pulula.
    Não voltar concretamente à Tebaida…onde tive a minha dose de felicidade…porquê?
    Mudou-se a família, após o sismo que sacudiu com vigor a cidade, e o resto do País, em 28 de Fevereiro de 1969.
    Ali cheguei com 14 anos de idade. Com as amizades organizadas por parte da miudagem do local, apenas me restava ficar de lado a observar. Nunca fui sacudido, mas só me lembro de conhecidos.
    Ainda assim estava em idade de ser feliz. E fui feliz na Tebaida!
    Tive também um grande amor, tanto quanto era possível, enquanto lá morei, com uma jovem linda, (que não digo o nome) mas que eu achava ser ainda muito nova…burro!
    Amante da aventura, passava os fins-de-semana a pedalar desalmadamente com outro amigo, da “baixa”, onde residia anteriormente. Culminou o ciclo turismo, cujo conceito não existia, com uma ida ao Algarve, que não conhecia…e que feliz lá fui. Regressei lá depois. De bicicleta só mais uma vez... Em lazer inesquecível várias…em trabalho…centenas!
    Voltando ao local que gerou esta comentário. Em 1975 deixei o bairro, ao ganhar asas e voar, num sonho de liberdade.
    Claro que me estatelei no chão, ao confundir liberdade com “prisão”. Como o sonho foi a dois, 36 anos depois, continuamos a apanhar os pedaços espalhados pelo chão. A filha agora com 33 anos, também ganhou asas há anos atrás.
    Não voltar aonde fui feliz?
    Não sei se reza assim o saber popular ou o senso comum. Quase não poderia circular nesta cidade onde nasci, se me limitasse a ouvir e aceitar, tanto absurdo que por aí pulula…

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  3. Sim certamente
    Cheguei a este bairro em 1959/60 com 4 anos daqui sai quando me casei em 1980
    Aqui ainda continuam os meus pais passados 51 anos.
    Aqui continuo a vir para ve-los e rever alguns amigos.
    Neste bairro posso dizer que fui feliz.
    Fiz muitos amigos que ainda hoje continuam a ser uns mais que outros uns no estrangeiro outros em Portugal.
    Aqui fiz muitas asneiras aqui tive os meus primeiros namoricos. é Bom voltar á Tebaida é bom reencontrar os velhos amigos e fazer novos
    Por tudo isto abençoado Bairro da Tebaida.
    Aqui de certeza continuarei a ser feliz

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  4. Cheguei com 7 anos vindo de perto, do Bairro Salgado cuja Escola continuei a frequentar, para a cave de um prédio virado para o Hospital, quase totalmente ocupado pelos finlandeses que trabalhavam na Socel.
    Após dois ou três anos ali mudámo-nos para o actual nº 18 e só de lá saí para a minha primeira casa, quando casei, embora não tenha deixado de ir à Tebaida em quase todos os dias da minha vida.
    Ainda hoje e porque trabalho a dois passos, posso ser visto a subir a rua, vindo da ponte de caminho de ferro, ou a estacionar o carro na praceta, a caminho da casa dos meus pais.
    Ali cresci, no tempo em que o mundo era mais pequeno e as pessoas conheciam as que moravam ao pé delas.
    Quando íamos “lá a baixo” era quase uma aventura.
    Á Esplanada, ao cinema, ou ao Bonfim, ver o Vitória ia-se em grupo com histórias, a maior parte das vezes engraçadas, pelo caminho.
    A praceta era o nosso mundo onde simplesmente se ia e pronto, as coisas aconteciam, aparecia sempre alguém com uma ideia, umas mais sensatas que outras mas todas participadas pelo verdadeiro bando de miúdos que lá passavam os dias.
    Éramos felizes, naqueles tempos, porque tínhamos raízes, amigos e não pensávamos muito em desgraças ou em perigos. O mundo era diferente.

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